sexta-feira, agosto 24, 2007

Entretenimento não estupidificante

First of all: anda para aí uma febre dos blogs que eu ainda não percebi mas de qualquer maneira, para a possibilidade de haver mais alguém que venha aqui parar por acidente, vão também visitar o Espaço amplo do Mr Maia e o outro que ainda não percebi se é Sítio da Luta ou Bora fazer a ... da Revolução! "Da-lhe Falancio !" do Nuno... se bem que me parece que é a segunda opção. Podem esperar contribuições de nós e tal neste último. (eheh este link era só p vos chatear) E comentem muito em todo o lado que é para isso que existem blogs! Espaços privilegiados para discutir sem arriscarem a vossa integridade física (aka levar uma sarda que nem se lembram quantos dentes têm! [q tb n interessa pq a partir daí deixam d os ter])!

Agora mais alguns anúncios.
Para quem não tiver nada que fazer no domingo à meia-noite (não, a lua cheia é só na terça-feira, não é isso que estão a pensar) podem dar a vossa atenção a um programa muito interessante que talvez não conheçam mas que tenta, com muito esforço, elevar o nível cultural do país (que tanto se tem vindo a criticar na blogosfera). O Onda-Curta na :2 (cujo slogan não engana ninguém "Quem vê, quer ver.") vai exibir quatro curtas-metragens que valem a pena: "Sai/Meguru, meguru, sono kaku he" de Nishigori Isao; "The Italian Machine" de David Cronenberg; "Asakusa" de Masanori Numaguchi; "Dalej/Go Further" de Jin-Soo-Kyong.
A primeira é uma animação para o vídeo-clip de uma música da banda j-rock ACIDMAN. A segunda é uma comédia sobre um grupo de aficionados que vai ao extremo para "salvar" uma Ducati 900 Desmo Super-Sport de um destino ingrato, do famoso David Cronenberg. A terceira foi descrita como uma «mistura frenética de imagens oriundas das memórias associadas a Asakusa, o bairro mais “divertido” da capital nipónica» e mais não me parece que eu possa dizer. Quanto à quarta, trata-se de uma curta sobre um rapaz de 16 anos que procura viver em paz, num ambiente não muito propício a essa esperança.

Outra coisa, ainda no campo do cinema. Se querem apreciar uma boa homenagem aos antigos filmes de série B, façam por ver a parte do Tarantino de GrindHouse, DeathProof. Tem uma banda sonora excelente, diálogos fantásticos, erros deliciosos e violência explícita. E para os rapazes, devo informar que a maior parte do elenco são gajas.

terça-feira, agosto 21, 2007

Duas Luas

«Vê o céu no dia 27 de Agosto, 12.30am. Parecerá que a Terra tem 2 luas.

O Planeta Marte será o mais brilhante no início da noite, parecerá tão grande como a Lua cheia. Isto acontecerá no dia 27 de Agosto quando Marte ficar a 34.65M milhas da Terra.

A próxima vez que ele estará tão perto da Terra será em 2287. Ninguém vivo hoje voltará a vê-lo!»

Não sei até que ponto isto será verdade, mas vale a pena dar uma olhadela.

Tu e todos os que conheces

Hey you ! out there in the cold
Getting lonely, getting old, can you feel me

Hey you ! Standing in the aisles

With itchy feet and fading smiles, can you feel me
Hey you ! don't help them to bury the light
Don't give in without a fight.
Hey you ! out there on your own

Sitting naked by the phone would you touch me
Hey you ! with your ear against the wall
Waiting for someone to call out would you touch me
Hey you ! would you help me to carry the stone
Open your heart, I'm coming home
But it was only a fantasy
The wall was too high as you can see
No matter how he tried he could not break free
And the worms ate into his brain.
Hey you ! out there on the road
Always doing what you're told, can you help me
Hey you ! out there beyond the wall
Breaking bottles in the hall, can you help me
Hey you ! don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall.

Hey you dos Pink Floyd

Hoje vamos ter um post um bocado para o psiquiátrico. Culpem a minha cabeça analítica que nunca pode deixar nada em paz. E culpem a Jade por me pôr a ver
The Squid and the Whale. Embora não seja bem este o tema do filme que vimos, apetecia-me falar sobre a comunicação entre as pessoas, porque é o maior problema do nosso tempo, cada vez a tornar-se mais estranho, e é das coisas que me ocupa mais o pensamento.
Vivemos numa altura que qualquer ser humano que tenha vivido anteriormente ia invejar, porque estão dadas as respostas básicas à nossa sobrevivência e podemos finalmente ocupar-nos de coisas mais nobres e importantes do que trabalhar como um escravo para comer qualquer coisa a partir dos três anos de idade. Podemos até dar-nos ao luxo de apanhar doenças todos os anos porque muito dificilmente alguém morreria agora por causa de uma constipação ou uma infecção urinária. Somos livres de ler, escrever, compor, comer, pensar, fazer o que nos apetecer (claro está, sem prejudicar os outros à nossa volta). No entanto, temos ainda problemas e o maior deles é como lidar com os outros. Talvez esta facilidade enorme em permanecer vivo esteja na raiz do nosso problema, na medida em que temos todo o tempo do mundo, não somos nem melhores nem piores do que os outros todos e vemos o mundo de forma muito mais relativista.
Dizendo isto tudo, como lidam as pessoas umas com as outras? Acho que ninguém me há-de chamar cínica se eu disser que das primeiras coisas que aprendemos em crianças é mentir. Se virmos isto de uma forma sociólogica e não moral, até se pode dizer que outra coisa não se podia esperar do Homem, que é um animal que muda o espaço à sua volta. Mentir é uma forma mais conceitual de modificar o espaço. Não quero ser mal interpretada, não estou a falar da mentira estúpida e egoísta, da mentira descarada e precária; estou a falar da mentira, possivelmente inconsciente, que impede os outros de verem o verdadeiro eu da pessoa. Vamos a exemplos.
Pessoas que se fazem passar por uma coisa e depois revelam-se outra?
Pessoas que quando querem alguma coisa ficam com tanto medo de a enfrentar que agem exactamente ao contrário?
Pessoas que escondem e enterram tudo de mau, acabando por se fechar e afastar dos outros?
Pessoas que fazem escândalos sobre uma coisa que não os incomoda assim tanto porque estão perturbados com outra coisa qualquer?
Pessoas que precisam de estar sempre a provar o seu valor porque se sentem muito inseguras? E tratam mal os outros porque, se sentirem que eles são inferiores, é-lhes mais fácil suportar a falta de amor-próprio?
Ou as pessoas que usam piadas e palhaçadas para fugir a situações desconfortáveis, deixando uma impressão de idiotas quando na realidade importam-se demasiado?
Imensas formas de fugir a encontros directos e houve até alguém que disse "às vezes, a maior viagem é aquela que existe entre duas pessoas".
Formas de lidar com isto tudo? Pois, é por isso que este é o maior problema do nosso tempo, porque todas as soluções são incrivelmente difíceis. "Just do it" é uma frase que muita gente conhece. "Just do it" de "enfrenta!", de "faz o que está certo!", de "pede desculpa!". Podem fazer como um amigo meu, que diz sempre que quando quer alguma coisa, vai buscá-la. Se bem que ele nunca faz isso, foge sempre. Se calhar as coisas corriam melhor se todos fôssemos mais verdadeiros e pensássemos mais em "por que é que fiz isto?".

domingo, agosto 19, 2007

I feel like singin'

Já passamos o meio de Agosto, o Outono já está mais perto do que queríamos e falta menos de um mês para aqueles que andam na escola voltarem a ter de se sentar durante horas seguidas na mesma cadeira a ouvir os mistérios do mundo serem-lhes revelados de formas ou incrivelmente surpreendentes ou incrivelmente maçadoras.
Mas para já, que é que isso interessa? Está calor, os filmes que o cinema oferece não prestam e a não ser que me tenham a mim para escolher filmes interessantissímos (na verdade, acho que a Jade e a Genki já não me voltam a deixar escolher filmes para alugar) só vos resta a música e o ar livre! Go get a life! (O tai chi parece ser uma boa solução...)

Entretanto, o verdadeiro objectivo deste post é, vá lá, fazer a vontade ao Nuno, que está agora com vontade de se juntar à blogosfera.
Featuring a única música em que o M&M de cabelo bleached (Eminem para os fãs mais aborrecidos) fala a cantar! Devo dizer que já não ouço este rapaz há algum tempinho mas, num estilo que não me diz quase nada para além da métrica e do talento para a semântica, ele foi o único que me conseguiu prender e fazer ouvir os álbuns uma e outra vez. Ah, nada como ouvir Eminem e fazer os trabalhos de casa de Matemática... nunca falhava!
A canção encomendada foi uma das que o rapper escreveu para a filha Hailie... simplesmente chamada Hailie's song, do álbum The Eminem Show, faixa 16. Como sempre, franco e temperamental, ele canta:

I can't sing good
I feel like singin'

I wanna fuckin' sing

'Cuz I'm happy
Yeah, I'm happy
Hahaa
I got my baby back
Yo, check it out

Some days I sit , starin' out the window
Watchin' this world pass me by
Sometimes I think there's nothin' to live for

I almost break down and cry

Sometimes I think I'm crazy
I'm crazy, oh so crazy
Why am I here, am I just wastin' my time?


But then I see my baby

Suddenly I'm not crazy

It all makes sense when I look into her eyes

Sometimes it feels like the world's on my shoulders

Everyone's leanin' on me
'Cuz sometimes it feels like the world's almost over
But then she comes back to me

My baby girl keeps gettin' older
I watch her grow up with pride

People make jokes, 'cuz they don't understand me

They just don't see my real side

I act like shit don't phaze me
Inside it drives me crazy
My insecurities could eat me alive


But then I see my baby

Suddenly I'm not crazy

It all makes sense when I look into her eyes


Sometimes it feels like the world's on my shoulders

Everyone's leanin' on me
'Cuz sometimes it feels like the world's almost over

But then she comes back to me


Man, if I could sing, I'd keep singin' this song to my daughter

If I could hit the notes, I'd blow somethin' as long as my father
To show her how I feel about her, how proud I am that I got 'er

God, I'm a daddy, I'm so glad that her mom didn't abort her

Now you prob'ly get this picture from my public persona

That I'm a pistol-packin' drug-addict who bags on his mama

But I wanna just take this time out to be perfectly honest

'Cuz there's a lot of shit I keep bottled that hurts deep inside o' my soul
And just know that I grow colder the older I grow
This boulder on my shoulder gets heavy and harder to hold

And this load is like the weight of the world

And I think my neck is breakin'

Should I just give up

Or try to live up to these expectations?
Now look I love my daughter more than life in itself
But I got a wife that's determined to make my life livin' hell

But I handle it well, given the circumstances I'm dealt
So many chances, man, it's too bad, could'a had someone else
But the years that I've wasted is nothin' to the tears that I've tasted

So here's what I'm facin', 3 felonies, 6 years of probation

I've went to jail for this woman, I've been to bat for this woman
I've taken bats to people's backs, bent over backwards for this woman
Man, I should'a seen it comin', what I stick my penis up in?
Would'a ripped the pre-nup up if I'd seen what she was fuckin'

But fuck it, it's over, there's no more reason to cry no more

I got my baby, maybe the only lady that I adore, Hailie
So sayonara, try tomorrow, nice to know ya
My baby's traveled back to the arms of her rightful owner
And suddenly it seems like my shoulder blades have just shifted
It's like the greatest gift you can get

The weight has been lifted

And now it don't feel like the world's on my shoulders

Everyone's leanin' on me

Cuz' my baby knows that her daddy's a soldier

Nothin' can take her from me


I told you I can't sing
Oh well, I tried
Hailie, remember when I said

If you ever need anything, daddy will be right there?

Well guess what, daddy's here
And I ain't goin' nowhere baby
I love you

Ouçam aqui

Lá bem no fundo, ele é um querido.

E é tudo. Vejam anime!

sábado, agosto 11, 2007

Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover


Aqueles que nasceram em 90 conhecem o Rui Veloso como um dos maiores cantores portugueses, o pai do rock português, aquele que canta as músicas que se ouviam durante as viagens para o Algarve. Este que ultimamente anda a mudar para um estilo mais funk, mais jazz e que deixa os fãs mais antigos tão chateados... "então e o velho rock?".

A música que me apetece lembrar é a Não há estrelas no céu.
Para quem não se lembra, cá está o Rui Veloso, novinho, a receber um prémio internacional e a cantá-la (e vejam, até o David Hasselhorf já ouviu esta música, embora não fale lá grande coisa de português...)


Não há estrelas no céu a dourar o meu caminho
Por mais amigos que tenha sinto-me sempre sozinho

De que vale ter a chave de casa para entrar
Ter uma nota no bolso pra cigarros e bilhar

A primavera da vida é bonita de viver
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover
Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar
Parece que o mundo inteiro se uniu pra me tramar

Passo horas no café sem saber para onde ir
Tudo à volta é tão feio só me apetece fugir
Vejo-me há noite ao espelho, o corpo sempre a mudar
De manhã ouço o conselho que o velho tem pra me dar

A primavera da vida é bonita de viver
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover
Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar
Parece que o mundo inteiro se uniu pra me tramar

(agora esta é daquelas onde há o uuuuuuuuuuuuuuuuhuuuhuhhh)

Ando aí às escondidas, a espreitar às janelas
Perdido nas avenidas e achado nas vielas
Veio o meu primeiro amor, foi um trapézio sem rede
Sai da frente por favor estou entre a espada e a parede

Não vês como isto é duro, ser jovem não é um gosto
Ter de encarar o futuro com borbulhas no rosto
Porque é que tudo é incerto, não pode ser sempre assim
Se não fosse o rock 'n roll o que seria de mim

A primavera da vida é bonita de viver
Tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover

Para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar

Parece que o mundo inteiro se uniu pra me tramar


Não há estrelas no céu
Estrelas no céu
Estrelas no céu (não há)
Estrelas no céu (não há)
Estrelas no céu


Querem melhor música sobre a adolescência? O Rui Veloso, na minha opinião, não toca rock... ele toca blues.